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Mafia III

Mafia III

Se conseguirem ultrapassar as limitações técnicas, vão encontrar um jogo com um ambiente excelente.

A Hangar 13 recebeu a difícil tarefa de assumir o papel da 2K Czech como produtora de Mafia III, depois de um Mafia II que, embora com falhas, tinha bom pontos a favor. O resultado não é um desastre total, longe disso, e como um todo, Mafia III tem muito para oferecer ao jogador, embora existam áreas que deviam ter sido trabalhadas com outra qualidade.

O jogo arranca com o Padre James a recordar a estória de Lincoln Clay, o protagonista de Mafia III. O nosso 'herói' passou a sua infância em orfanatos, até que foi convocado para cumprir serviço militar na guerra do Vietname durante a década de 60. Quando regressa, Lincoln acaba por se envolver com a Mafia, o que acaba por ter consequências desastrosas para si e para quem conhece, algo que acaba por o guiar para uma jornada de vingança e violência. A estória é interessante e é apresentada de forma eficaz ao jogador, embora fuja muito do que tem sido a estrutura base dos jogos Mafia. Muitos fãs até podem acusar a Hangar 13 de não ter construído um verdadeiro Mafia, mas mais importante é que a estória funciona.

Embora os jogos anteriores se passassem num mundo aberto, ofereciam pouco em termos de atividades secundárias, algo que a Hangar 13 prometeu mudar para Mafia III. Mais que isso, nos anteriores era difícil realmente influenciar o mundo de jogo, algo que neste caso é muito diferente. Por exemplo, a certo ponto encontrámos dois homens brancos a ameaçarem uma mulher negra, o que nos levou a intervir a seu favor. Os dois imbecis despejaram de imediato insultos racistas na nossa direção, mas entretanto reparámos numa carrinha junto a nós com uma bandeira dos Estados Confederados da América (associação racista), o que diz bem da mentalidade do sul norte-americano nesta era.

Não sabemos o que teria acontecido se não tivéssemos feito nada, mas a verdade é que algo aconteceu no mundo de jogo que não foi resultado das nossas ações. Eram este tipo de eventos que faltavam a Mafia, eventos e momentos que podem presenciar enquanto percorrem o mundo aberto, e que dão outra vida à cidade de New Bordeaux. Também gostámos de ver como as reações e o estado de espírito das pessoas muda de distrito para distrito. Alguns são simpáticos e educados, outros ignoraram-nos, e outros são agressivos e imbecis.

Como acontece num mundo aberto deste género, terão de passar muito tempo a conduzir em Mafia III. A física dos veículos mudou imenso desde o jogo anterior, e os carros são agora bem mais leves, mesmo no modo de condução "simulação". E ainda bem que existe esta opção, porque no modo "normal" o carro vira com o mais pequeno toque no analógico. É um estilo de condução razoável para quem procura algo mais simples e arcade, mas vai desapontar quem esperava uma mecânica mais realista.

Por falar em realismo, ficámos impressionados com a forma como a Hangar 13 abordou o racismo sem medos. Este foi um período complicado nos EUA em termos de racismo, sobretudo nas cidades do sul (New Bordeaux é basicamente Nova Orleães), e está representando em Mafia III. Vão ouvir muitos comentários racistas e atitudes racistas, e não apenas nas pessoas. Encontrámos salas e chuveiros separados, e até vimos lojas que não permitiam a "entrada a pessoas de cor". Como é óbvio, entrámos, e em poucos segundos alguém alertou a polícia sobre o nosso ato criminoso.

Por falar em polícia, convém esclarecer que Mafia III é muito mais suave na aplicação da lei. Nos anteriores podiam ser perseguidos simplesmente por andar acima do limite de velocidade, ou por passarem um sinal vermelho. Até existiam mandatos de captura em relação ao carro e às roupas do protagonista, o que obrigava a mudar ambos para desviar atenções. Em Mafia III isso não acontece. Existem menos ações que chamam a atenção da polícia, e quando estão a ser procurados, basta sair da área específica para que tudo fiquem bem. Aliás, em Mafia III nem sequer é possível mudar de roupa ou de matrícula, embora a Hangar 13 tenha prometido novidades para uma atualização futura.

Temos alguma pena que a polícia seja menos restrita a cumprir as leis da condução, já que isso era um factor que distinguia Mafia de outros jogos do género, mas pelo menos existe um elemento interessante. O tempo de resposta da polícia depende imenso do bairro em que estão. Nos bairros pobres o tempo de resposta é horrível - se aparecerem de todo -, enquanto que nos bairros ricos a resposta é imediata. Quando cometem um crime, a polícia não é alertada magicamente. Uma testemunha tem que alertar a polícia, e como nesta altura não existiam telemóveis, essa testemunha tem de procurar uma cabina telefónica para o fazer. Parar essa testemunha é uma forma de evitarem que a polícia apareça-

Como acontece noutros jogos do género, parte do vosso objetivo passa por roubar o controlo da máfia nos distritos, e para isso têm normalmente de invadir localizações. Existem duas formas de fazer isto: silenciosamente, ou violentamente. Normalmente optámos pela opção furtiva, já que permite evitar alguns confrontos mais exigentes. Para isso precisam de percorrer as coberturas sem serem vistos, o que nem sempre é fácil de cumprir. Numa ação roubada a Assassin's Creed, podem assobiar para atrair um guarda até à vossa localização, ficando à vossa mercê. Existem dois tipos de animações para eliminar inimigos furtivamente: uma é simples e com violência mínima (basta pressionar o botão), enquanto que a outra é barulhenta e extremamente violenta (mantêm o botão pressionado). Nas opções também podem definir se preferem que Lincoln mate os inimigos, ou simplesmente os deixe inconscientes. Outro elemento da jogabilidade são os tiroteios e as mecânicas de cobertura. Ambas funcionam bem, e embora não sejam as melhores que já experimentámos, cumpre as suas funções.

Existe um problema em Mafia III que não esperávamos - a oscilante qualidade gráfica. Vão encontrar momentos aqui e ali que até podem impressionar, mas existem elementos gráficos que são horríveis. Texturas de baixa resolução, cores deslavadas, péssimo alcance da visão, e outros problemas semelhantes. Mafia III podia e devia ser muito melhor no capítulo gráfico. É particularmente frustrante que alguns elementos mostrem grande atenção ao detalhe, enquanto que outros parecem ter sido simplesmente ignorados. Igualmente irritantes são as falhas técnicas, como texturas que não carregam a tempo, ou fora de sítio. O mesmo não pode ser dito das sequências de vídeo, que são fabulosas, mas existe uma grande diferença entre o grafismo da estória e o grafismo real do jogo.

Um dos pontos fortes da Mafia III são as sequências de vídeo, que além de impressionarem graficamente, beneficiam de bons diálogos e uma estória empolgante. A Hangar 13 conseguiu captar o ambiente e a atmosfera dos anos 60 com grande eficácia, e absorver toda essa riqueza cultural é algo de especial. Isso também é possível devido à qualidade sonora, que beneficia de uma banda sonora impressionante com músicas famosas dessa era. As interpretações dos atores são também excelente, enquanto que os efeitos sonoros cumprem sem se destacarem.

Os controlos em si funcionam como seria de esperar num jogo em mundo aberto contemporâneo, e a jogabilidade varia entre o funcional e o bom. Também ajuda que o jogo consiga manter uma fluidez estável nos 30 frames por segundo nas consolas, embora o PC consiga elevar-se para os 60 frames depois do lançamento de uma atualização.

Não podemos negar que ficámos algo desapontados com Mafia III. Graficamente é pior do que poderíamos imaginar, e gostaríamos que a condução dos veículos fosse mais pesada e realista. A própria estrutura de jogo pode ser algo repetitiva, mas isso acaba por ser compensado por uma estória que agarra até final. O ambiente e a atmosfera são outros motivos que vos podem convencer a dar uma oportunidade a Mafia III. Acreditamos que, com mais meses de produção, este podia ser sido um jogo muito melhor do que é neste momento, que embora não seja mau, tinha potencial para ser muito mais. Não é uma recomendação obrigatória, mas se apreciam realmente este tipo de jogos, vale a pena considerar Mafia III.

Mafia IIIMafia IIIMafia III
07 Gamereactor Portugal
7 / 10
+
Estória agarra o jogador. Banda sonora fabulosa. Boas interpretações dos atores. Excelente atmosfera. Não se foca demasiado em colecionáveis.
-
Grafismo mediano, com problemas técnicos. Inteligência artificial com falhas. Optimização medíocre.
overall score
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