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Halo: The Master Chief Collection

Halo: The Master Chief Collection

Master Chief vestiu-se de gala para uma das melhores coleções de que há memória.

Um dos maiores pacotes da história dos videojogos é The Orange Box, que reuniu Half-Life 2, HL2: Episode 1, HL2: Episode 2, Portal e Team Fortress 2 num só conjunto (para quando a conclusão desta trilogia, Gabe?). Entretanto saíram outros pacotes de boa qualidade, como o recente Metro Redux, que reúne versões remasterizadas de Metro 2033 e Metro: Last Light, mas nada se compara com Halo: The Master Chief Collection.

O conteúdo incluído no disco, juntamente com a atualização massiva que devem descarregar, inclui quatro campanhas completas e 106 mapas para vários modos multijogador. Não vão encontrar melhor relação quantidade/preço em nenhum outro jogo este ano e mesmo a qualidade é também bastante alta. Depois de muitas horas com os quatro jogos e respetivas campanhas, existem algumas queixas a reportar, mas de forma geral as nossas impressões são francamente positivas.

Comecemos com as campanhas. Existem quatro ao todo, englobando as histórias videojogáveis de Master Chief, ou seja, Halo: Combat Evolved, Halo 2, Halo 3 e Halo 4. Os dois primeiros são versões remasterizadas, com grafismos muito melhorados desde os originais, enquanto que os dois últimos foram apenas alvo de revisões mais ligeiras, já que foram lançados para a Xbox 360.

Se quiserem jogar a história de princípio ao fim, terão de começar por Halo: Combat Evolved, o jogo de lançamento da Xbox original. Em grande parte, a versão que vão encontrar aqui é a mesma remasterização que foi lançada para a Xbox 360, na edição de aniversário. Ainda assim, contem com o bónus de que está a correr com uma resolução de 1080p e 60 frames por segundo.

Esta campanha inaugural que nos apresentou o universo massivo de Halo tem alguns elementos datados, mas ainda é perfeitamente jogável e apreciável. O facto da jogabilidade e do design se aguentarem ainda tão bem, mesmo depois de todos estes anos, é um testamento ao trabalho fantástico da Bungie com Halo: Combat Evolved. Este foi, afinal de contas, o jogo que afirmou de vez que era possível fazer jogos de ação na primeira pessoa de qualidade nas consolas.

Halo: The Master Chief Collection
Halo: The Master Chief CollectionHalo: The Master Chief CollectionHalo: The Master Chief Collection

A Saber Interactive, que já tinha trabalhado na remasterização de Halo: Combat Evolved, ficou responsável por tratar de igual forma Halo 2. No entanto, ao contrário do que acontece com Halo: Combat Evolved, Halo 3 e Halo 4, Halo 2 não corre a 1080p. Tanto Halo, como Halo 2, incluem uma opção que permite alternar entre o grafismo antigo e o novo, com um simples toque de um botão. Isso significa que ambos estão a correr os dois motores de jogo em simultâneo, e enquanto a performance de Halo não é afetada por isso, a da sequela é claramente. Além de apenas suportar uma resolução de 900p, Halo 2 evidencia várias quebras nos frames por segundo, sobretudo durante sessões cooperativas. Na nossa opinião teria sido preferível uma opção que permitisse desligar o motor original, de forma a melhorar a performance geral do jogo.

Quanto à qualidade visual em si, é bastante boa, em parte devido à excelência da arte original da Bungie. Desde as cores do mundo dos Covenant, à arquitetura Forerunner, não esquecendo obviamente a fantástica armadura dos Spartans, Halo sempre foi uma série abençoada com muito estilo. A nova versão inclui muitos pormenores visuais novos e no geral é boa o suficiente para manter Halo 2 relativamente atualizado. Contudo, não é perfeita, e existem alguns momentos onde não parece ter existido tanto cuidado como noutros. Esta nova versão inclui ainda melhoramentos gerais ao departamento sonoro, embora a remoção da faixa dos Incubus - Follow - seja um rude golpe.

Apesar dos melhoramentos, esta ainda é, na nossa opinião, a campanha mais fraca das quatro que incluíram Master Chief. A história é excessivamente atabalhoada e a Bungie estava claramente a tentar fazer mais do que conseguia para um só jogo. Aliás, em documentários posteriores, a própria produtora reconheceu que não conseguiu produzir todas as sequências de vídeo que pretendia, prejudicando a própria coesão da história.

Existem alguns momentos brilhantes e a jogabilidade é tão sólida como sempre, mas esta campanha acaba por ser a que sofre de maior linearidade e repetição, sobretudo nos níveis ondem passam a controlar Arbiter. Dito isto, soube bem voltar a passar a campanha, através de um misto a solo e cooperativo (com um segundo Master Chief/Arbiter), mas das quatro, é provavelmente a que menos vontade teremos de revisitar no futuro.

Halo: The Master Chief CollectionHalo: The Master Chief Collection
Halo: The Master Chief CollectionHalo: The Master Chief CollectionHalo: The Master Chief Collection

Quanto a Halo 3, beneficia obviamente dos 1080p a 60 frames por segundo que o poder extra da Xbox One lhe conferiu. Ao contrário de Halo 2, a história deste terceiro capítulo volta a encontrar estabilidade e consegue terminar a trilogia original de forma coesa. É uma campanha de grande qualidade, com áreas mais amplas para o combate, bom design, muitas novidades na jogabilidade e uma história digna. Será provavelmente a nossa campanha favorita das três.

E depois há Halo 4, que marcou o início de uma nova trilogia com Master Chief e que se destacou como um dos jogos mais exigentes a nível técnico para a Xbox 360. Agora, com uma revisão ao nível da resolução e dos frames por segundo, Halo 4 passa quase por um jogo de nova geração. O grande destaque da campanha vai para introdução de um novo inimigo e para os problemas que Cortana está a enfrentar.

Em termos de jogabilidade e design, Halo 4 acaba por ser ligeiramente mais repetitivo e linear, faltando-lhe alguma criatividade a que a Bungie nos tinha habituado. A 343 fez um bom trabalho geral na produção de Halo 4, mas não ao ponto de alcançar a mestria da Bungie, talvez com receio de fugir demasiado à fórmula original. Ainda assim, Halo 4 é um bom jogo e tem um aspeto fantástico na Xbox One.

Tanto Halo 4, como Halo 3, foram revistos para a Xbox One pela produtora Ruffian Games, que de forma geral fez um bom trabalho. Os dois jogos têm excelente aspeto na nova consola e correm bastante bem. Não esperem contudo mudanças ao nível da jogabilidade ou de design, estas são essencialmente as mesmas campanhas que jogaram na Xbox 360.

Halo: The Master Chief Collection
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Halo: The Master Chief Collection

As quatro campanhas serão suficientes para vos entreter durante muitas horas, mas são apenas metade do que este pacote tem para oferecer. Além de uma série de missões temáticas que podem percorrer ao longo dos quatro jogos com as Playlist, existem 106 mapas para o modo multijogador. É uma coleção incrível de mapas clássicos e modernos, que farão qualquer fã da saga salivar.

A remasterização de seis mapas de Halo 2 é brilhante. Além de terem recebido uma atualização gráfica, vão encontrar algumas funções novas, que aproximam o ritmo da experiência de Halo 4 - algo ainda mais evidente se experimentarem os originais nas Playlists. A excelência da remasterização dos mapas de Halo 2, à semelhança do que já tinha acontecido com a versão de aniversário de Halo: Combat Evolved, torna ainda mais difícil o regresso aos mapas que não foram restaurados, criando algum desiquilíbrio na experiência.

Se são grandes fãs da série e tiveram oportunidade de jogar os originais, podem encontrar bom valor sentimental quando revisitarem os mapas no seu estado primário, mas será basicamente só isso. Neste momento não são mapas capazes de se aguentarem com as versões remasterizadas e devem ser considerados como peças de museu, e não tanto mapas para momentos real de competição.

Até mesmo os mapas que acompanham o modo multijogador de Halo 3 já demonstram alguma idade, sobretudo comparando com Halo 4. Nesse jogo assistimos à evolução das habilidades das armaduras que tinham sido introduzidas em Halo: Reach. Os mapas têm um aspeto soberbo e juntamente com os seis mapas remasterizados de Halo 2, são certamente os mais competentes e bonitos. Para muitos fãs antigos será bom revisitar os clássicos, mas acreditamos que a maioria dos jogadores irão gravitar eventualmente para o online de Halo 4.

Halo: The Master Chief Collection
Halo: The Master Chief CollectionHalo: The Master Chief Collection

A grande falha de Halo: Master Chief Collection é uma de coesão. Compreendemos que esta coleção ergue-se nos ombros do ícone da série, Master Chief, e inclui os quatro jogos com o protagonista, mas não é uma coleção completa de Halo. Para isso seria necessário Halo Wars, Halo 3: ODST e Halo: Reach, os outros três jogos da série lançados para a Xbox 360. Sim, compreendemos que talvez fosse pedir um pouco demais, mas a ausência destes jogos acaba por impedir que Master Chief Collection seja a coleção definitiva de Halo.

Outro problema de consistência surge devido à qualidade impressionante das sequências de vídeo de Halo 2. Todas as cutscenes de Halo 2 foram refeitas pelo estúdio Blur e são de qualidade tremenda, capazes de rivalizar com o que de melhor se faz na Blizzard - e isto é um grande elogio à Blur. A questão é que Halo 2 foi o único jogo que recebeu este tratamento, o que acaba por prejudicar imenso a coesão das sequências que contam a história ao longo das quatro campanhas. Na nossa opinião, a 343 perdeu uma excelente oportunidade de reformular todas as cutscenes num pacote mais coeso.

Nada disto é grave, e como está, já é um pacote soberbo. Estamos a falar da cereja que falta em cima de um bolo massivo e delicioso. Master Chief Collection é uma coleção impressionante, mas ficou aquém de ser o pacote definitivo. Seja como for, não deixem que estas notas mais negativas vos distraiam do essencial.

Halo: The Master Chief CollectionHalo: The Master Chief CollectionHalo: The Master Chief Collection
Halo: The Master Chief CollectionHalo: The Master Chief Collection

As quatro campanhas, embora apresentem as suas idades a espaços, são pela maior parte brilhantes e com as missões extras das Playlists, vão encontrar muitas horas de conteúdo pela frente. E depois ainda há o multijogador, que consegue ser tão brilhante como no passado. Seja a solo, no modo cooperativo ou na espetacular ação online, vão certamente encontrar muitas horas de diversão nesta coleção. Se têm uma Xbox One (e se não têm, é um bom motivo para a comprar) e são fãs de Halo, The Master Chief Collection é obrigatória.

09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Fantástico preço/valor. Momentos brilhantes de algumas campanhas. Conteúdo que nunca mais acaba. Multijogador soberbo com 106 mapas.
-
Jogos brilham isolados, mas falta coesão ao pacote. Halo 2 tem alguns problemas técnicos menores.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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