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Back 4 Blood

Back 4 Blood

Diz que é o sucessor espiritual de Left 4 Dead, mas merece ou não esse título?

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Embora só tenhamos jogado Back 4 Blood durante cerca de 20 horas, atrevemo-nos a dizer que poucos jogos recentes nos ofereceram tantos momentos memoráveis. Foram tantas as situações em que estávamos vivos por um fio, quase sem hipótese de esperança, e que mesmo assim nos conseguimos safar porque um membro da equipa conseguiu sobreviver contra todas as hipóteses, matar o boss, e ressuscitar o resto da equipa.

É o tipo de jogo em que, mesmo depois de escrita a análise, vamos certamente voltar para mais sessões com os nossos amigos, mas já era assim com Left 4 Dead, o jogo de que Back 4 Blood é o sucessor espiritual. Afinal de contas trata-se do mesmo estúdio e do mesmo conceito, e o único motivo pelo qual Back 4 Blood não se chama Left 4 Dead é porque essa licença pertence à Valve, e a Turtle Rock agora está a trabalhar com a Warner Bros. Mas a essência é mesma: tentar sobreviver a hordas de zombies (ou Ridden neste caso) com um grupo formado por quatro jogadores.

Para que o jogo funcionasse era essencial acertar em vários pormenores, incluindo a jogabilidade, e felizmente a Turtle Rock Studios acertou na mouche. Trucidar mortos-vivos na primeira pessoa, com machados, pistolas, cocktails molotovs, e vários outros acessórios, é um exercício que nunca farta. Com a jogabilidade apurada, era preciso apresentar boas situações aos jogadores, e é aqui que entra o excelente design dos níveis e a variedade de zombies que irá enfrentar, sempre apresentando desafios frescos ao jogadores. Mas antes de começar a matança terá de passar pela zona central do jogo.

Back 4 Blood

É aqui que irá escolher a sua personagem (existem oito, com diferentes papéis para cumprirem), definir o seu aspeto, personalizar as armas, e construir um baralho de cartas. "Um baralho de cartas?!?" Sim, Back 4 Blood utiliza um sistema de progressão associado a baralhos de cartas, definidas por uma mecânicas intitulada de "O Diretor". Este diretor determina as "cartas de corrupção" quando começa um nível, e essas cartas definem o que os jogadores irão encontrar no mapa, incluindo parâmetros como o clima e os inimigos, ou objetivos de jogo, como não deixar nenhum elemento da equipa morrer, por exemplo. Depois existem "cartas ativas", e cada jogador pode escolher uma de três opções apresentadas de forma aleatória. Essas cartas depois garantem vantagens ao jogador em questão ou à equipa como um todo. Ao completarem missões e níveis, os jogadores irão ganhar pontos, que depois podem usar para desbloquear novas cartas e opções cosméticas.

Sabemos que nem todos os jogadores são fãs deste sistema de cartas, mas nós gostamos - sobretudo porque não está associado a qualquer tipo de micro-transação. O facto do sistema de cartas alterar parâmetros de jogos de forma aleatória garante grande nível de variedade, e conversar com a equipa para escolher as melhores cartas para os desafios em mão é divertido.

Infelizmente existe um problema associado a estas mecânicas, que é comum em jogos roguelike e outros títulos com elementos aleatórios, que é o facto de por vezes serem criados desafios injustos. Aconteceu recebermos missões que eram praticamente impossíveis, para depois o nível a seguir ser tão fácil que era aborrecido. A Turtle Rock Studios tem claramente de afinar melhor este sistema durante as próximas semanas.

Mas existe outro problema. Um grande problema.

Já se esperava que Back 4 Blood fosse um jogo sobretudo indicado para jogabilidade online, mas a forma como a Turtle Rock Studios falou da campanha a solo, fez supor que jogabilidade offline também seria uma opção válida. Bem, até certo ponto é, mas não como esperávamos. A campanha offline não permite aceder a qualquer mecânica de progresso de cartas, não oferece pontos, e nem sequer desbloqueia troféus ou achievements. Pior ainda, os companheiros de inteligência artificial que acompanha o jogador são verdadeiros imbecis, tornando a experiência ainda mais frustrante.

Back 4 Blood

Como referimos, já esperávamos que Back 4 Blood fosse um jogo indicado para jogabilidade online, mas se é o caso, então não promovam a campanha a solo como se fosse uma opção válida, porque não o é. Não realmente. A Turtle Rock Studios entretanto já afirmou que está a ouvir o feedback dos jogadores, mas não se alongou mais que isso.

Para acabarmos numa nota mais positiva, permita-nos falar dos mapas, que são bastante grandes. Alguns níveis podem ocupar os jogadores durante cerca de duas horas e são como mini-aventuras. Ao longo do percurso irá encontrar casas seguras, o que oferece uma oportunidade para relaxar, conversar, comprar equipamento, e renovar o stock de munições. O facto de ser um jogo com um grafismo bastante bom (jogámos na Xbox Series X), e de apresentar um design de som de grande qualidade, são tudo elementos que ajudam a reforçar o que é uma excelente experiência de matança de zombies - com outros jogadores.

No geral parece-nos que Back 4 Blood é um herdeiro digno de Left 4 Dead. Inclui todos os ingredientes que tornaram esse jogo tão memorável, e depois ainda acrescenta algumas das suas próprias ideias. Adorámos partilhar esta experiência com os nossos amigos, e estamos ansiosos para continuarmos a jogar. Se também aprecia este tipo de jogos e pretende jogar com amigos, então leva a nossa melhor recomendação. Só não vá ao engano a pensar que pode verdadeiramente desfrutar de Back 4 Blood como uma experiência a solo.

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08 Gamereactor Portugal
8 / 10
+
Modo online é fantástico. Excelente design de som. Grafismo com estilo.
-
Picos abruptos de dificuldade. Modo a solo é irrelevante.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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ANÁLISE. Escrito por Jonas Mäki

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