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80 Days

80 Days

Viajámos pelo mundo encantador da nova aventura da Inkle.

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80 Days, a aventura da Inkle, chegou primeiro às plataformas móveis, antes de tentar mais tarde a sua sorte no PC. Testámos as duas versões - móveis e PC - e o jogo sente-se bem nos dois formatos. Pareceu-nos adequado a sessões curtas, mas também não nos cansou depois de períodos mais longos de jogo. Qual preferimos? Bem, podemos dizer que a que nos ocupou mais tempo foi a versão iOS, sobretudo graças à simplicidade de acesso e controlos.

80 Days é uma reimaginação de A Volta ao Mundo em 80 Dias, uma das obras de Júlio Verne, e começa de forma inocente. Vão assumir o papel de Jean Passepartout, um homem que começou recentemente a trabalhar para o Sr. Phileas Fogg. Antes que se possa habituar à nova posição, Passepartout é informado de que deve partir de imediato para Paris. Parece que o seu novo mestre fez uma aposta em como conseguiria dar a volta ao mundo em oitenta dias, uma aposta que tem toda a intenção de ganhar.

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E assim parte Passepartout, numa aventura global com início em Paris e praticamente sem tempo para arrumar a sua mala. O que vão encontrar é uma versão Steampunk de um mundo vitoriano, com estranhas formas de transporte, pequenas aventuras entusiasmantes e algumas decisões provocantes. Durante a viagem inicial pela Europa, vão começar a perceber as mecânicas de jogo por trás da experiência. A história é apresentada ao jogador via texto, como se Passepartout estivesse a recordar a história via diário. Não é, contudo, um jogo apenas assente em torno de algumas linhas bem escritas, existem outros elementos que informam e governam a experiência.

Podem, por exemplo, comprar e vender itens em várias cidades, embora exista um local específico onde podem fazer uma boa maquia, se lá conseguirem chegar. O Sr. Fogg tem alguns problemas de saúde, que começam a tornar-se mais evidentes com o decorrer da viagem, sobretudo durante secções mais complicadas. Vão precisar de cuidar bem do patrão de Passepartout, para que possa permanecer relativamente saudável. Também terão de gerir as suas finanças, e cada cidade tem um banco onde podem depositar ou retirar dinheiro, mas terão de gastar alguns dias neste processo.

Sempre que chegam a um local novo, podem perder algum tempo a visitar a área e os arredores, para conhecerem melhor o seu contexto. Também podem conversar com outras pessoas, o que pode abrir novos destinos e caminhos alternativos. Cedo vão perceber que o jogo tem muitos percursos possíveis, o que de certa forma é um bom incentivo para repetir a aventura. Infelizmente, também existem alguns momentos de frustração. Por exemplo, perdemos uma viagem entre duas cidades porque tínhamos as malas cheias de lixo, e não conseguimos vender os itens com a rapidez exigível. Faz parte da experiência, para aumentar a pressão de completar a viagem em 80 dias.

80 Days lembrou-nos dos livros de outrora em que fazíamos a nossa aventura ao longo do caminho, e permite alternar o ritmo dos acontecimentos com pequenas linhas de diálogo. Um dos maiores destaques de toda a experiência é a qualidade da escrita e do argumento, e existem alguns momentos muito poderosos à espera de serem descobertos. Vão interagir com personagens memoráveis e travar diálogos interessantes, mas nem todas as interações mantém essa qualidade, devido à natureza apressada de toda a experiência e o foco da aventura na relação entre mestre e empregado.

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Nos departamentos sonoros e visuais, 80 Days é um jogo relativamente simples, mas tudo funciona. O grafismo cumpre a sua função, tal como a banda sonora, mas não esperem grandes feitos técnicos ou peças de orquestra magistrais. É um jogo em tudo gira em torno da narrativa, e nesse aspeto, a base mais importante de toda a experiência - o argumento - é bastante bom. Mesmo que nem todas as decisões sejam interessantes, vão encontrar muitos momentos surpreendentes, e duas viagens raramente serão iguais.

Com a exceção de alguns elementos de comércio e de gestão, tanto financeira como em relação à condição de Fogg, 80 Days não é exatamente um jogo tradicional. É muito mais uma história interativa, que não será certamente para todos os jogadores, mas de certeza que existem por aí alguns indivíduos que, como nós, vão apreciar o que este produto da Inkle Studios tem para oferecer.

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08 Gamereactor Portugal
8 / 10
+
Excelente argumento. Bons incentivos para repetir a aventura. Obriga a algumas decisões interessantes.
-
Nem todas as decisões são relevantes. Tem alguns momentos frustrantes.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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ANÁLISE. Escrito por Mike Holmes

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